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Pessoas

LANGA, Alexandre

Cantor, compositor e produtor musical

Alexandre Langa
Kid Munhamana

n. Ndavene, Manjacaze, Província de Gaza, 1943-02-26; m. Cidade de Maputo, 2003-12-29

Alexandre Langa nasceu a 26 de Fevereiro de 1943, no Distrito de Chibuto, província de Gaza. Filho de Amosse Langa, um carpinteiro que tocava timbila, e de Minosse Mulhanga, que tomava conta da família e não tinha a música na sua agenda, Alexandre cresceu num ambiente rural. Além do seu pai, na zona existiam outros tocadores de timbila e era comum ouvir-se música sul-africana em gramafones trazidos por mineiros.

Alexandre Langa deu os primeiros passos na música por volta de 1955, na escola primária, tendo como primeira referência o trovador Eusébio Johane Tamele. Dividia o seu tempo entre a escola, a pastorícia e a aprendizagem musical, uma agenda pesada para um menino de 12 anos, que se fosse independente optaria pela última actividade. Tal como outros meninos da sua zona, Langa usou uma lata de azeite, uma madeira e cordas de nylon para sozinho fabricar a primeira guitarra. Sozinho também aprendeu a tocar.

Após concluir a terceira classe e com o sonho de singrar na música, em 1959, Alexandre Langa deixou Chibuto para se fixar em Lourenço Marques (Maputo). Na grande cidade, trabalhou inicialmente como empregado doméstico e depois como dobrador nas oficinas do jornal “A Tribuna”. Mas o que mais queria era continuar a tocar. Procurou integração no circuito musical de Lourenço Marques, processo que foi lento e pouco animador.

Insatisfeito com a sua situação, em Março de 1963, Alexandre Langa trocou Lourenço Marques por Joanesburgo, na África do Sul. O seu primeiro emprego foi na secção de explosivos da companhia mineira Rand Leases, em Florida-Roodepoort, próximo de Soweto. Aqui, a música ocupa os seus tempos livres e rapidamente sai do anonimato, em particular nos convívios da companhia.

No ano seguinte, aconteceu a grande oportunidade para seguir a carreira musical. Numa tertúlia na Village Main, também em Joanesburgo, conheceu Fany Mpfumo, que já era músico profissional. Em pouco tempo, Fany apresentou-o aos gestores da gravadora EMI-His Masters Voice.

No mesmo ano, Fanny, acusado de ter cometido um crime passional, foi detido por três anos. Durante esse período, a EMI contratou Alexandre Langa para substituir Fany, uma oportunidade para trabalhar e gravar com Alexandre Jafete, Spokes Mashiane, Duke City Sisters, Ladysmith Black Mambazo, entre outros.

A primeira gravação a solo de Alexandre Langa aconteceu a 25 de Agosto de 1964, nos estúdios da Gallo, em Joanesburgo. Dessa gravação resultou o single “Xi sassenta”, um disco de 78 rpm, com o registo “usa 308”.

Em 1965, Alexandre Langa adoptou o pseudónimo Kid Munyamane (escurinho), por ser o menos claro entre os seus amigos e colegas. Usando este nome, publicou 14 singles em changane e um em zulu, e actuou na Namíbia, Swazilândia, Lesotho e Zimbabwe. Usou também o pseudónimo Samson the Lion Heart.

Além de cantar e tocar guitarra, Alexandre Langa despontou como saxofonista, fazendo valer os ensinamentos dados, na segunda metade dos anos 1960, por Spokes Mashiyane (popular flautista) e Ntemi Edmund Piliso (saxofonista que liderou o grupo African Jazz Pioneers). Dessa relação surgiu o seu melhor tema instrumental, “Jive Indian Jive”, lançado em 1967, no qual toca saxofone-alto.

Na África do Sul, as canções de Alexandre Langa foram marcadas por uma carga de nostalgia. É disso exemplo mais elucidativo o tema “Moçambique”, gravado, em 1971, com a participação das “Mahotella Queens”.

Alexandre Langa regressou a Moçambique, em 1973, na companhia de Fany M´pfumo, a convite do empresário Ricardo Barros. No ano seguinte, fundou o grupo “Sunlight” (também conhecido por ‘A Luz do Sol’ e ‘Quarteto 1001’) com Dimas, Matias Mazanaldo e Jorge Thovela. Entre 1976 e 1978, Alexandre Langa, além de tocar, trabalhou na APIE.

Em reconhecimento do seu talento, em 1978 foi convidado para fazer parte do Grupo RM, com o qual actuou sucessivamente na Alemanha, Bélgica, Holanda, Swazilândia e Zimbabwe. Em 1985 largou o “RM”, mas continuou funcionário da Rádio Moçambique, afecto ao Departamento de Produção Musical, vindo a reformar-se em Setembro de 1996.

Graças ao seu apoio aos ideais da revolução moçambicana, através da música de intervenção social, Alexandre Langa foi deputado da Assembleia Popular, e recebeu a Medalha de Nachingweia do 2º Grau, em 1984.

Alexandre Langa morreu, em Maputo, no dia 29 de Dezembro de 2003, e foi sepultado em Chibuto, a 2 de Janeiro de 2004.

(Frederico Jamisse)
M'PFUMO, Fanny
TAMELE, Eusébio Johane

Nome

LANGA, Alexandre

Nomes alternativos

Alexandre Langa
Kid Munhamana

Função

Cantor, compositor e produtor musical

Local de nascimento

Ndavene, Manjacaze, Província de Gaza

Data de nascimento

1943-02-26

Local de morte

Cidade de Maputo

Data de morte

2003-12-29

Género

Masculino

Biografia

Alexandre Langa nasceu a 26 de Fevereiro de 1943, no Distrito de Chibuto, província de Gaza. Filho de Amosse Langa, um carpinteiro que tocava timbila, e de Minosse Mulhanga, que tomava conta da família e não tinha a música na sua agenda, Alexandre cresceu num ambiente rural. Além do seu pai, na zona existiam outros tocadores de timbila e era comum ouvir-se música sul-africana em gramafones trazidos por mineiros.

Alexandre Langa deu os primeiros passos na música por volta de 1955, na escola primária, tendo como primeira referência o trovador Eusébio Johane Tamele. Dividia o seu tempo entre a escola, a pastorícia e a aprendizagem musical, uma agenda pesada para um menino de 12 anos, que se fosse independente optaria pela última actividade. Tal como outros meninos da sua zona, Langa usou uma lata de azeite, uma madeira e cordas de nylon para sozinho fabricar a primeira guitarra. Sozinho também aprendeu a tocar.

Após concluir a terceira classe e com o sonho de singrar na música, em 1959, Alexandre Langa deixou Chibuto para se fixar em Lourenço Marques (Maputo). Na grande cidade, trabalhou inicialmente como empregado doméstico e depois como dobrador nas oficinas do jornal “A Tribuna”. Mas o que mais queria era continuar a tocar. Procurou integração no circuito musical de Lourenço Marques, processo que foi lento e pouco animador.

Insatisfeito com a sua situação, em Março de 1963, Alexandre Langa trocou Lourenço Marques por Joanesburgo, na África do Sul. O seu primeiro emprego foi na secção de explosivos da companhia mineira Rand Leases, em Florida-Roodepoort, próximo de Soweto. Aqui, a música ocupa os seus tempos livres e rapidamente sai do anonimato, em particular nos convívios da companhia.

No ano seguinte, aconteceu a grande oportunidade para seguir a carreira musical. Numa tertúlia na Village Main, também em Joanesburgo, conheceu Fany Mpfumo, que já era músico profissional. Em pouco tempo, Fany apresentou-o aos gestores da gravadora EMI-His Masters Voice.

No mesmo ano, Fanny, acusado de ter cometido um crime passional, foi detido por três anos. Durante esse período, a EMI contratou Alexandre Langa para substituir Fany, uma oportunidade para trabalhar e gravar com Alexandre Jafete, Spokes Mashiane, Duke City Sisters, Ladysmith Black Mambazo, entre outros.

A primeira gravação a solo de Alexandre Langa aconteceu a 25 de Agosto de 1964, nos estúdios da Gallo, em Joanesburgo. Dessa gravação resultou o single “Xi sassenta”, um disco de 78 rpm, com o registo “usa 308”.

Em 1965, Alexandre Langa adoptou o pseudónimo Kid Munyamane (escurinho), por ser o menos claro entre os seus amigos e colegas. Usando este nome, publicou 14 singles em changane e um em zulu, e actuou na Namíbia, Swazilândia, Lesotho e Zimbabwe. Usou também o pseudónimo Samson the Lion Heart.

Além de cantar e tocar guitarra, Alexandre Langa despontou como saxofonista, fazendo valer os ensinamentos dados, na segunda metade dos anos 1960, por Spokes Mashiyane (popular flautista) e Ntemi Edmund Piliso (saxofonista que liderou o grupo African Jazz Pioneers). Dessa relação surgiu o seu melhor tema instrumental, “Jive Indian Jive”, lançado em 1967, no qual toca saxofone-alto.

Na África do Sul, as canções de Alexandre Langa foram marcadas por uma carga de nostalgia. É disso exemplo mais elucidativo o tema “Moçambique”, gravado, em 1971, com a participação das “Mahotella Queens”.

Alexandre Langa regressou a Moçambique, em 1973, na companhia de Fany M´pfumo, a convite do empresário Ricardo Barros. No ano seguinte, fundou o grupo “Sunlight” (também conhecido por ‘A Luz do Sol’ e ‘Quarteto 1001’) com Dimas, Matias Mazanaldo e Jorge Thovela. Entre 1976 e 1978, Alexandre Langa, além de tocar, trabalhou na APIE.

Em reconhecimento do seu talento, em 1978 foi convidado para fazer parte do Grupo RM, com o qual actuou sucessivamente na Alemanha, Bélgica, Holanda, Swazilândia e Zimbabwe. Em 1985 largou o “RM”, mas continuou funcionário da Rádio Moçambique, afecto ao Departamento de Produção Musical, vindo a reformar-se em Setembro de 1996.

Graças ao seu apoio aos ideais da revolução moçambicana, através da música de intervenção social, Alexandre Langa foi deputado da Assembleia Popular, e recebeu a Medalha de Nachingweia do 2º Grau, em 1984.

Alexandre Langa morreu, em Maputo, no dia 29 de Dezembro de 2003, e foi sepultado em Chibuto, a 2 de Janeiro de 2004.

(Frederico Jamisse)

Instrumentos

Intérprete de guitarra, bandolim, saxofone alto

Criado por

Tiago Fonseca

Data de Criação

2018-07-06

Modificado/ enriquecido / revisto por

Marílio Wane

Data de modificação

2018-07-18

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