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Instrumentos Musicais

Bandolim

Designação

Bandolim

Descrição

Designação proveniente do italiano mandolino.

Cordofone dedilhado, de origem italiana, com quatro ordens de cordas duplas composto por caixa de ressonância e braço, executado habitualmente com um plectro. As cordas são fixadas na ilharga do instrumento
através de botão (presas por botão directamente ou através do estandarte). O tampo harmónico apresenta uma boca, geralmente redonda ou oval, trabalhada na orla (como na viola). O braço é composto por cabeça (com cravelhal, ou carrilhão de chapa de leque com um sistema de parafuso sem fim), pestana e escala (dividida em 17 trastes, dos quais dez ou 11 são marcados
no braço e os últimos sobre o tampo harmónico). A sua extensão abrange três oitavas e uma nota. A afinação actual é mi4-lá3-ré3-sol2.

O bandolim é o instrumento soprano da família à qual pertencem a bandolineta (sopranino), a bandoleta (contralto), a bandola (tenor), o bandoloncelo e o bandolão (baixos). Surgiram na península itálica, durante o final do séc. XVII, vários modelos que assumiram o nome das cidades onde eram construídos (o bandolim milanês e o bandolim napolitano, p.ex.).
O modelo napolitano (com quatro ordens de cordas duplas: mi4-lá3-ré3-sol2) foi o mais divulgado na Europa e no continente americano durante o séc. XIX. Foi documentado no Norte de Portugal, no final do mesmo século, um modelo com quatro cordas simples (de tripa ou de arame), com o cravelhal em madeira, plano, ligeiramente inclinado em relação ao braço. Em Lisboa surgiu um modelo com quatro ordens de cordas duplas (de arame), com a caixa arredondada em forma de pêra (características do modelo napolitano).
Surgiu também uma variante deste modelo, caracterizada pelas ilhargas e pelo fundo chato, que se generalizou por todo o país. É comum o cravelhal em leque (como na guitarra). Existem também alguns exemplares do instrumento com o cravelhal idêntico ao da viola francesa. A substituição das cordas de tripa pelas cordas de aço implicou o desaparecimento da dedilhação como técnica de execução, tornando-se corrente o uso do plectro. É usual o emprego do trémulo sustentado para aumentar a duração da nota. No final do séc. XIX o instrumento era frequentemente executado por senhoras nos meios burgueses.
Durante o séc. XX foi pontualmente usado em diferentes contextos musicais, integrando, no final do século, tunas, grupos de tocadores informalmente organizados (nas janeiras e nos reis, p.ex.), orquestras típicas, ranchos folclóricos, grupos de pop-rock (Belle Chase Hotel, Ena Pá 2000 ou Blind Zero, p.ex.) e grupos de recriação de música tradicional. A popularidade do instrumento é atestada pelas numerosas edições de métodos autodidactas, publicados nos sécs. XIX e XX.

Bibliografia

PINTO, João Ricardo (2010). Bandolim in Castelo-Branco, Salwa El-Shawan (coord.). Enciclopédia da Música em Portugal no século XX. Lisboa: Círculo de Leitores, vol. 1

Ferreira, António Eduardo da Costa; Cirilo, Olídio Gomes de Sousa (1944) Breviário musical. Coimbra: Edições Olímpio Medina;
Oliveira, Ernesto Veiga de (2000/1966) Instrumentos musicais populares portugueses. Lis- boa: FCG-MNE/FCG.


Manuais de ensino:
Cebolo, Eurico (1997) Tocar bandolim: Um milagre em qualquer parte para iniciar o estudo do bandolim ou do banjo. Porto: E. A. Cebolo [com cassete];
Ferreira, António Eduardo da Costa (192?/1910) Método elementar de bandolim. Lisboa: Avelar Machado [2.a ed.];
Gomes, Manuel (1943) Método de bandolim. Lisboa: Lit. Alves; Rente, Adolfo Alves (1904) Methodo para aprender a tocar bandolim... Lisboa: Livr. Romero; Varela, Reinaldo (189?) Methodo pratico e simples para aprender a tocar bandolim sem musica. Lisboa: Sebastião de Miranda;

Vitória, João (191?) O bandolim sem mestre ao alcance de todas as inteligências ou método de bando- lim João Victoria. Lisboa: J. Vitória [5.a ed.]

Criado por

João Ricardo Pinto

Data de criação

2018-07-20

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