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Pessoas

TAMELE, Eusébio Johane

Intérprete
Cantor
Guitarrista

Eusébio Tamele
Zeburani

n. Chanwane, Distrito de Chibuto, Província de Gaza, 1930-04-17; m. Cidade de Maputo, 2003-01-??

Eusébio Johane Tamele, também conhecido pelo pseudónimo de Zeburani, nasceu a 17 de Abril de 1930, na localidade de Chanwane, distrito de Chibuto, na província de Gaza. Filho de Johane Tamele e de Ecelina Mondlane, Zeburani era o mais velho de sete irmãos na seguinte ordem decrescente: Eusébio (Zeburani), Amina, Naftal, Estêvão, Laura, João e Maria Inês. Cresceu num meio familiar próprio de gente de Gaza, onde as actividades principais dividiam-se entre a igreja, escola, caça aos passarinhos, montagem de armadilhas para animais de pequena espécie e pastorícia. Zeburani pastoreou gado do seu pai.
Aos domingos ia à povoação de Njatigwe (Jatigué) onde pontificava a Igreja do Nazareno. Nesta congregação liderou grupos juvenis de canto e dança, particularmente da makwayela, ensinando-os temas de evangelização e de celebração de cerimónias matrimoniais. Alguns hinos da colectânea “Tisimu ta Kutwanana” (Canções de Entendimento), a mais usada na zona Sul de Moçambique pela Igreja do Nazareno, contaram com a participação de Zeburani na composição. São os casos de “Loko mahelile massiku yanga (Quando o fim dos meus dias chegar) e Ndzi landzele (Siga-me).
Matriculou-se na Escola São José de Muzamane, mas logo a seguir abandonou as aulas presenciais, preferindo estudar como autodidacta à distância. Foi a contragosto de alguns professores que realizou, no fim do ano, os exames e concluiu com distinção a 3ª Classe Elementar na mesma escola. Mais tarde voltaria para concluir a 4ª Classe.
A influência dos tios e as violas de lata
Mesmo com estas ocupações, Eusébio Johane Tamele encontrava tempo para dedicar-se à viola, influenciado pelos seus tios Xikwetani, Ngangai e Mudjimu. Nessa época, constrói uma viola de quatro cordas (fios de nylon) à base de uma lata de azeite de cinco litros. Cedo apercebeu-se da afinação internacional. É assim que avança para o fabrico de uma viola de seis cordas com base numa lata rectangular de 20 litros, até que mais tarde adquiriu uma viola convencional.
Eusébio Johane Tamele é um dos iniciadores do movimento musical ligeiro moçambicano. Depois de Mutano Gomes Feliciano e Francisco Mahecuane Macuvele, foi o terceiro músico moçambicano a gravar músicas na África do Sul.
Iniciou a sua carreira musical no ano de 1949, na sua terra natal, Chanwane, influenciado pelos seus tios Chikwetani e Ngangai. Em 1950 parte para a África do Sul, onde no ano seguinte começa a fazer registos discográficos. Seria entretanto em 1953 que sairia ao público o seu primeiro disco de vinil, em 78 RPM (rotações por minuto) que tocava em gramofones. As primeiras canções gravadas foram “Uteka tikandju tiya Manjacaze” (Levas a castanha de caju para Manjacaze) e “salani nwana bava” (Adeus irmão), obras que tiveram bastante sucesso.
Nos anos que se seguiram gravou tantos outros discos, tendo sucessivamente passado por renomadas editoras como Trobador, Columbia e Trutonia. Regressa definitivamente para Moçambique em 1955, ano em que contrai casamento com Rosalina Mavale, esposa que o acompanhou até à sua morte em Janeiro de 2003.
A partir da década de 1960, fez vários registos musicais na então Rádio Clube de Moçambique (hoje Rádio Moçambique). Nos primórdios da Independência Nacional gravou na RM e na Produções 1001.
Eusébio Tamele foi músico (compositor, intérprete e guitarrista), político, investigador, historiador, declamador, dançarino e relojoeiro. É das maiores referênciasquando se fala da música moçambicana de raiz, com qualidade para internacionalização.
Tocou Magikha, Marrabenta, Blues, Makwayela, Gospel, Baladas, ximanjemanje, dirigiu grupos corais na igreja, antes e no pós-independência.
Teve 10 filhos, nomeadamente, Johane, Gustavo, Borges, Aniano, Zefanias, Eusébio Jr., Alegria, Diocleciano, Rosalina e Pérola.
Excelência na criação, no toque e na composição
Eusébio Johane Tamele contribuiu desde os primórdios da sua carreira para o engrandecimento da cultura e, em especial, da música moçambicanas. Como activista dos direitos da mulher, Zeburani criou e compôs temas para o seu empoderamento, de forma única, inspiradora e cultivada, nos quais dedilhava a sua guitarra magistralmente.
A forma tão profunda como compôs as suas músicas fez com que estas atingissem um alto valor estético, tornando-se, ainda, intemporais. Este é um dos factos que explica a razão de Zeburani ter inspirado e continuar a inspirar gerações de músicos que encontram nele a principal referência.
Eusébio Tamele era de facto um exímio guitarrista, reconhecido a nível nacional e internacional. Conseguiu através da sua perícia na execução produzir um som de guitarra que os músicos da sua época só o faziam através do bandolim. Para sermos mais precisos, o bandolim é um instrumento de cordoamento duplo; possui quatro pares de cordas, afinadas da mesma forma que o violino: Sol, Ré, Lá, Mi, perfazendo 8 cordas que seguem duplicadas, daí o som sair sempre estridente.
Propôs-se e conseguiu, através da sua técnica, reproduzir com uma guitarra convencional o som do bandolim, marcando desta forma a sua geração. Conseguiu ainda desenvolver uma técnica única de produzir um som, através de uma execução muito rápida com a qual granjeou simpatias e até hoje tem bastantes seguidores (escute-se Txa Txa Txa e sentir-se-á esta verve).
Acresce a esta, a combinação perfeita que fazia entre a voz e os (acordes) fios da guitarra, criando uma harmonia única e jamais ouvida na história da música moçambicana.
Quem acompanhar atentamente as actuais tendências dos guitarristas moçambicanos perceberá sem dificuldades, que, através de gravações feitas por Bernardo Domingos, seguidor confesso de Eusébio Tamele, muitos jovens hoje seguem, conscientes ou não disso, a linha de Zeburani. As canções “Felisminha e Xitxuketa Marrabenta”, de Stewart Sukuma, são por exemplo, a continuação da linha de execução da guitarra de Zeburani.
Eusébio Tamele influenciou e é ídolo de muitos artistas moçambicanos, que por suas próprias palavras se têm referido a isso, nomeadamente, Alberto Mutcheca, Dilon Dgindji, José Mucavel, Wazimbo, Hortêncio Langa, Simião Mazuze (Salimo Muhamed), Arão Litsure, Xadreque Mucavele, Roberto Chitsondzo, Maninho, entre outros.
Activismo político e sociocultural
No contexto político, Eusébio Johane Tamele lutou pela independência nacional, na clandestinidade, tendo por isso sido preso, em 1971, pela então famigerada Polícia Internacional para Defesa do Estado - Direcção Geral de Segurança (PIDE-DGS).
Com o fim da Luta de Libertação Nacional, Tamele participou activamente na edificação do Moçambique novo, liderando e colaborando na construção de aldeias comunais em Xai-Xai, tais como Inhamissa, Marien N’goabi, Fidel Castro, Coca Missava, Zongoene, Chicumbane, alguns dos bairros que até hoje têm Eusébio Tamele como referência.
Quando da visita de Dr. Eduardo Chivambo Mondlane a Moçambique em 1961, Eusébio Tamele fez parte do grupo que, na então cidade de João Belo, hoje Xai-Xai, preparou a recepção daquele que viria a ser o primeiro presidente da FRELIMO, movimento que combateu o colonialismo português até à Independência Nacional.
Além de Eusébio Tamele estiveram nessa recepção Mateus Sansão Muthemba, Abiatar Sansão Muthemba, Afonso Casalino Mazuze, Gil Mazuze, Afonso André, Nicolau Abílio Fernandes, Marcos Novele, António Ribeiro, entre outros nacionalistas.
A sua luta pela Independência Nacional, na clandestinidade, levou-o a ser encarcerado nas masmorras da PIDE em Janeiro de 1971. Foi detido em Chibuto, durante uma viagem de serviço, quando fazia mobilização para recrutamento de trabalhadores para o corte da cana-de-açúcar, como trabalhador da Sociedade Agrícola do Incomati, de Xinavane. Entre os companheiros da cadeia contam-se António Muchave, Jotamo, ambos detidos em Xai-Xai.
Ainda no contexto político, há a destacar que trabalhou intensivamente na construção dos bairros novos da cidade de Xai-Xai ao lado de Ernesto Macalamucane Mucache, primeiro Administrador Distrital de Xai-Xai, no período pós-proclamação da Independência, numa altura em que o governador de Gaza era o General Fernando Matavele, também primeiro Governador de Gaza, após a proclamação da independência nacional. Foi responsável pela área mobilização e propaganda durante muitos anos no Bairro 18 de Tavene e depois no Comité Distrital do Partido Frelimo em Xai-Xai. Assumiu as funções de deputado da Assembleia da Cidade de Xai-Xai e da Assembleia Provincial de Gaza.
Foi ainda Membro do Comité Provincial do Partido, Director dos Bairros Comunais no Conselho Executivo de Xai-Xai e Chefe do Posto Administrativo da Praia de Xai-Xai durante cerca de 12 anos, cargo que desempenhou até à reforma.
Participou na criação do então Grupo Polivalente Provincial de Gaza, que congregava os melhores agrupamentos de dança tradicional. São exemplos, os grupos de Makwayela do Bairro 18 de Inhamissa, Ngalanga de Nhamponzuene em Xai-Xai, Grupo de Makwayela de Licilo de Bilene Macia, Grupo Polivalente de Chókwè, entre outros.
Zeburani mostra nas suas obras a premência de emancipar a mulher. Já na sua época conseguiu apontar tipologias de violência a que a mulher era submetida no lar, sabia-o que ela era igual ao homem em direitos, deveres e dignidade. Não se lhe conhece uma canção sequer em que “destrói” a mulher com críticas comuns daquela época, como por exemplo: Preguiçosa, mal cheirosa, estéril, etc. A questão da esterilidade, por exemplo, é trazida nas músicas de Eusébio Tamele como um dos factores usados pelos homens para o total desprezo pelas esposas. Entretanto, Zeburani, ainda que não o dissesse abertamente, deixava evidente a ideia de que a esterilidade não era motivo para sevícias, até por que hoje a medicina prova que esta pode ser do homem e não da esposa.
TAMELE, Aniano

Nome

TAMELE, Eusébio Johane

Nomes alternativos

Eusébio Tamele
Zeburani

Função

Intérprete
Cantor
Guitarrista

Local de nascimento

Chanwane, Distrito de Chibuto, Província de Gaza

Data de nascimento

1930-04-17

Local de morte

Cidade de Maputo

Data de morte

2003-01-??

Género

Masculino

Biografia

Eusébio Johane Tamele, também conhecido pelo pseudónimo de Zeburani, nasceu a 17 de Abril de 1930, na localidade de Chanwane, distrito de Chibuto, na província de Gaza. Filho de Johane Tamele e de Ecelina Mondlane, Zeburani era o mais velho de sete irmãos na seguinte ordem decrescente: Eusébio (Zeburani), Amina, Naftal, Estêvão, Laura, João e Maria Inês. Cresceu num meio familiar próprio de gente de Gaza, onde as actividades principais dividiam-se entre a igreja, escola, caça aos passarinhos, montagem de armadilhas para animais de pequena espécie e pastorícia. Zeburani pastoreou gado do seu pai.
Aos domingos ia à povoação de Njatigwe (Jatigué) onde pontificava a Igreja do Nazareno. Nesta congregação liderou grupos juvenis de canto e dança, particularmente da makwayela, ensinando-os temas de evangelização e de celebração de cerimónias matrimoniais. Alguns hinos da colectânea “Tisimu ta Kutwanana” (Canções de Entendimento), a mais usada na zona Sul de Moçambique pela Igreja do Nazareno, contaram com a participação de Zeburani na composição. São os casos de “Loko mahelile massiku yanga (Quando o fim dos meus dias chegar) e Ndzi landzele (Siga-me).
Matriculou-se na Escola São José de Muzamane, mas logo a seguir abandonou as aulas presenciais, preferindo estudar como autodidacta à distância. Foi a contragosto de alguns professores que realizou, no fim do ano, os exames e concluiu com distinção a 3ª Classe Elementar na mesma escola. Mais tarde voltaria para concluir a 4ª Classe.
A influência dos tios e as violas de lata
Mesmo com estas ocupações, Eusébio Johane Tamele encontrava tempo para dedicar-se à viola, influenciado pelos seus tios Xikwetani, Ngangai e Mudjimu. Nessa época, constrói uma viola de quatro cordas (fios de nylon) à base de uma lata de azeite de cinco litros. Cedo apercebeu-se da afinação internacional. É assim que avança para o fabrico de uma viola de seis cordas com base numa lata rectangular de 20 litros, até que mais tarde adquiriu uma viola convencional.
Eusébio Johane Tamele é um dos iniciadores do movimento musical ligeiro moçambicano. Depois de Mutano Gomes Feliciano e Francisco Mahecuane Macuvele, foi o terceiro músico moçambicano a gravar músicas na África do Sul.
Iniciou a sua carreira musical no ano de 1949, na sua terra natal, Chanwane, influenciado pelos seus tios Chikwetani e Ngangai. Em 1950 parte para a África do Sul, onde no ano seguinte começa a fazer registos discográficos. Seria entretanto em 1953 que sairia ao público o seu primeiro disco de vinil, em 78 RPM (rotações por minuto) que tocava em gramofones. As primeiras canções gravadas foram “Uteka tikandju tiya Manjacaze” (Levas a castanha de caju para Manjacaze) e “salani nwana bava” (Adeus irmão), obras que tiveram bastante sucesso.
Nos anos que se seguiram gravou tantos outros discos, tendo sucessivamente passado por renomadas editoras como Trobador, Columbia e Trutonia. Regressa definitivamente para Moçambique em 1955, ano em que contrai casamento com Rosalina Mavale, esposa que o acompanhou até à sua morte em Janeiro de 2003.
A partir da década de 1960, fez vários registos musicais na então Rádio Clube de Moçambique (hoje Rádio Moçambique). Nos primórdios da Independência Nacional gravou na RM e na Produções 1001.
Eusébio Tamele foi músico (compositor, intérprete e guitarrista), político, investigador, historiador, declamador, dançarino e relojoeiro. É das maiores referênciasquando se fala da música moçambicana de raiz, com qualidade para internacionalização.
Tocou Magikha, Marrabenta, Blues, Makwayela, Gospel, Baladas, ximanjemanje, dirigiu grupos corais na igreja, antes e no pós-independência.
Teve 10 filhos, nomeadamente, Johane, Gustavo, Borges, Aniano, Zefanias, Eusébio Jr., Alegria, Diocleciano, Rosalina e Pérola.
Excelência na criação, no toque e na composição
Eusébio Johane Tamele contribuiu desde os primórdios da sua carreira para o engrandecimento da cultura e, em especial, da música moçambicanas. Como activista dos direitos da mulher, Zeburani criou e compôs temas para o seu empoderamento, de forma única, inspiradora e cultivada, nos quais dedilhava a sua guitarra magistralmente.
A forma tão profunda como compôs as suas músicas fez com que estas atingissem um alto valor estético, tornando-se, ainda, intemporais. Este é um dos factos que explica a razão de Zeburani ter inspirado e continuar a inspirar gerações de músicos que encontram nele a principal referência.
Eusébio Tamele era de facto um exímio guitarrista, reconhecido a nível nacional e internacional. Conseguiu através da sua perícia na execução produzir um som de guitarra que os músicos da sua época só o faziam através do bandolim. Para sermos mais precisos, o bandolim é um instrumento de cordoamento duplo; possui quatro pares de cordas, afinadas da mesma forma que o violino: Sol, Ré, Lá, Mi, perfazendo 8 cordas que seguem duplicadas, daí o som sair sempre estridente.
Propôs-se e conseguiu, através da sua técnica, reproduzir com uma guitarra convencional o som do bandolim, marcando desta forma a sua geração. Conseguiu ainda desenvolver uma técnica única de produzir um som, através de uma execução muito rápida com a qual granjeou simpatias e até hoje tem bastantes seguidores (escute-se Txa Txa Txa e sentir-se-á esta verve).
Acresce a esta, a combinação perfeita que fazia entre a voz e os (acordes) fios da guitarra, criando uma harmonia única e jamais ouvida na história da música moçambicana.
Quem acompanhar atentamente as actuais tendências dos guitarristas moçambicanos perceberá sem dificuldades, que, através de gravações feitas por Bernardo Domingos, seguidor confesso de Eusébio Tamele, muitos jovens hoje seguem, conscientes ou não disso, a linha de Zeburani. As canções “Felisminha e Xitxuketa Marrabenta”, de Stewart Sukuma, são por exemplo, a continuação da linha de execução da guitarra de Zeburani.
Eusébio Tamele influenciou e é ídolo de muitos artistas moçambicanos, que por suas próprias palavras se têm referido a isso, nomeadamente, Alberto Mutcheca, Dilon Dgindji, José Mucavel, Wazimbo, Hortêncio Langa, Simião Mazuze (Salimo Muhamed), Arão Litsure, Xadreque Mucavele, Roberto Chitsondzo, Maninho, entre outros.
Activismo político e sociocultural
No contexto político, Eusébio Johane Tamele lutou pela independência nacional, na clandestinidade, tendo por isso sido preso, em 1971, pela então famigerada Polícia Internacional para Defesa do Estado - Direcção Geral de Segurança (PIDE-DGS).
Com o fim da Luta de Libertação Nacional, Tamele participou activamente na edificação do Moçambique novo, liderando e colaborando na construção de aldeias comunais em Xai-Xai, tais como Inhamissa, Marien N’goabi, Fidel Castro, Coca Missava, Zongoene, Chicumbane, alguns dos bairros que até hoje têm Eusébio Tamele como referência.
Quando da visita de Dr. Eduardo Chivambo Mondlane a Moçambique em 1961, Eusébio Tamele fez parte do grupo que, na então cidade de João Belo, hoje Xai-Xai, preparou a recepção daquele que viria a ser o primeiro presidente da FRELIMO, movimento que combateu o colonialismo português até à Independência Nacional.
Além de Eusébio Tamele estiveram nessa recepção Mateus Sansão Muthemba, Abiatar Sansão Muthemba, Afonso Casalino Mazuze, Gil Mazuze, Afonso André, Nicolau Abílio Fernandes, Marcos Novele, António Ribeiro, entre outros nacionalistas.
A sua luta pela Independência Nacional, na clandestinidade, levou-o a ser encarcerado nas masmorras da PIDE em Janeiro de 1971. Foi detido em Chibuto, durante uma viagem de serviço, quando fazia mobilização para recrutamento de trabalhadores para o corte da cana-de-açúcar, como trabalhador da Sociedade Agrícola do Incomati, de Xinavane. Entre os companheiros da cadeia contam-se António Muchave, Jotamo, ambos detidos em Xai-Xai.
Ainda no contexto político, há a destacar que trabalhou intensivamente na construção dos bairros novos da cidade de Xai-Xai ao lado de Ernesto Macalamucane Mucache, primeiro Administrador Distrital de Xai-Xai, no período pós-proclamação da Independência, numa altura em que o governador de Gaza era o General Fernando Matavele, também primeiro Governador de Gaza, após a proclamação da independência nacional. Foi responsável pela área mobilização e propaganda durante muitos anos no Bairro 18 de Tavene e depois no Comité Distrital do Partido Frelimo em Xai-Xai. Assumiu as funções de deputado da Assembleia da Cidade de Xai-Xai e da Assembleia Provincial de Gaza.
Foi ainda Membro do Comité Provincial do Partido, Director dos Bairros Comunais no Conselho Executivo de Xai-Xai e Chefe do Posto Administrativo da Praia de Xai-Xai durante cerca de 12 anos, cargo que desempenhou até à reforma.
Participou na criação do então Grupo Polivalente Provincial de Gaza, que congregava os melhores agrupamentos de dança tradicional. São exemplos, os grupos de Makwayela do Bairro 18 de Inhamissa, Ngalanga de Nhamponzuene em Xai-Xai, Grupo de Makwayela de Licilo de Bilene Macia, Grupo Polivalente de Chókwè, entre outros.
Zeburani mostra nas suas obras a premência de emancipar a mulher. Já na sua época conseguiu apontar tipologias de violência a que a mulher era submetida no lar, sabia-o que ela era igual ao homem em direitos, deveres e dignidade. Não se lhe conhece uma canção sequer em que “destrói” a mulher com críticas comuns daquela época, como por exemplo: Preguiçosa, mal cheirosa, estéril, etc. A questão da esterilidade, por exemplo, é trazida nas músicas de Eusébio Tamele como um dos factores usados pelos homens para o total desprezo pelas esposas. Entretanto, Zeburani, ainda que não o dissesse abertamente, deixava evidente a ideia de que a esterilidade não era motivo para sevícias, até por que hoje a medicina prova que esta pode ser do homem e não da esposa.

Instrumentos

Guitarra
Xibavanai (guitarra de lata)

Fontes

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/recreio/77189-zeburani-guitarrista-de-outro-quilate

Link associado

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/recreio/77189-zeburani-guitarrista-de-outro-quilate
http://www.jornaldomingo.co.mz/index.php/cultura/9109-zeburani

Notas

A imagem e o texto que ilustra este item encontra-se disponível em:
http://jornalnoticias.co.mz/index.php/recreio/77189-zeburani-guitarrista-de-outro-quilate

Criado por

Tiago Fonseca

Data de Criação

2018-07-03

Modificado/ enriquecido / revisto por

Marílio Wane

Data de modificação

2018-11-12

Recursos relacionados

Áudio

Mingaholovissane

Compositor

Zimbabwe

Compositor

Fonogramas

Pessoas

LANGA, Alexandre

Biografia

Média