SOBRE

Coordenação

Salwa Castelo-Branco (IP)

Rui  Cidra (co-IP)

 

Financiamento

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT)

 

Referência

PTDC/ART-OUT/32320/2017

 

Resumo

Este projeto foca a indústria discográfica em Portugal entre 1956 e 1983. Este é o período de atividade da editora Orfeu, fundada por Arnaldo Trindade, o principal estudo de caso da investigação. Este período foi marcado por profundas transformações sociais, económicas e políticas: a transição de um regime totalitário (1933-1974) para a democracia como resultado da revolução de Abril de 1974; a industrialização; a guerra colonial (1961-1974); as tentativas de integrar a União Europeia que culminaram com a integração de Portugal naquela organização (então CEE) em 1986; a formalização das instituições democráticas no período pós-revolucionário; e o desenvolvimento do capitalismo. Partindo da biografia da editora e do seu mentor, o projeto procurará contribuir para a historiografia de Portugal durante este período, propondo um olhar sobre a produção da cultura popular e as dinâmicas da produção e consumo da música. A Orfeu modernizou o sistema de produção musical em Portugal através da adoção e adaptação de modelos comerciais importados e através da diversificação das atividades comerciais a companhia também comercializava eletrodomésticos numa loja na cidade do Porto.

O projeto explorará os modos através dos quais estas transformações no sistema de produção criaram condições para a emergência de novos estilos de música popular e para a disseminação de músicos que até então não estavam representados na indústria discográfica. Num contexto de censura e repressão social a Orfeu foi responsável pela edição de músicos que criaram música diametralmente oposta aos estilos que eram suportados pelo Estado e disseminados através da rádio, da televisão e de outras editoras discográficas. Os músicos gravados pela Orfeu opunham-se ideologicamente ao regime, expressando a sua oposição através de um estilo musical híbrido que acentuava a palavra e que se inspirava na música de tradição rural portuguesa, na música africana, na canção francesa e na "nueva canción" chilena. Entre os principais músicos ligados à editora contam-se José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, entre outros.

O projeto procurará compreender como estes novos estilos de canção constituíam meios para disseminar ideologias e valores democráticos e uma plataforma velada para o debate de ideias usando a metáfora, a intertextualidade poética e musical e outras estratégias contradiscursivas no contexto da censura. A análise incidirá sobre o editor Arnaldo Trindade enquanto "entusiasta" e assentará numa tentativa de entendimento dos moldes de funcionamento do mercado local, questionando, centralmente, a relação entre a indústria fonográfica, a estética, a política e a transformação social.

Este projecto vem responder ao desafio societal "Sociedades reflexivas? património cultural e identidade europeia" na medida em que se propõe um estudo, com recurso a novas tecnologias, acerca da herança cultural, memória, identidade, integração e interação e translação cultural. Esta investigação incide sobre a área da história, da literatura, da arte contemplando a história contemporânea de Portugal como parte da diversidade Europeia contemporânea. Assentando numa base comparativa com contextos extra-europeus, a investigação reflecte sobre o papel da Europa no mundo e sobre os laços e influência mútua entre diferentes partes do globo.

 

Resultados

- Ações de divulgação de cultura científica;

- Ações Promoção e disseminação do conhecimento; 

- Publicações técnicas/científicas;

- Conferências, seminários ou fóruns;

- Ações junto dos sectores alvo;

- Outros.