MINGAS
Cantora
Compositora
Elisa Domingas Salatiel Jamisse
n. Maputo, 1960-09-13
Fruto da união entre Salatiel Jamisse e Aliazarina Finiosse, naturais de Morrumbene e Massinga (na Província de Inhambane), Elisa Domingas Jamisse, ou simplesmente "Mingas", nasceu a 13 de Setembro de 1960 na cidade de Maputo e ganhou o mundo, tornando-se na cantora moçambicana de maior projecção internacional. Ainda muito nova, começou a cantar na Igreja Metodista, integrando os corais infantil e juvenil adquirindo, assim conhecimentos de teoria musical e técnicas de canto. Mais tarde, na adolescência, participou de grupos culturais formados na Escola Secundária Francisco Manyanga, o que lhe proporcionou maior desenvoltura e interesse concreto em seguir a carreira musical.
Já nos fins da década de 1970, na companhia de jovens da igreja, nomeadamente, Safrão Navesse e Silva Zunguze, integrou um rio que apresentava-se principalmente em cerimonias da igreja, interpretando canções religiosas. Entretanto, o seu interesse musical iam além, alimentado pelos espectáculos produzidos pelo Xitimela 1001 e Foguetão, muito em voga na altura. Nestas ocasiões, teve a oportunidade de apreciar actuacoes de grandes referencias da música moçambicana (que começavam a ganhar mais espaço naquele momento), tais como Dilon Djindji, Fany Mpfumo, António Marcos, António Williamo, Orquestra Djambu, etcre outros.
Destinada a singrar na música, passou por concursos de descoberta de talentos e sem dificuldades se integrou nesta arte. Um dos seus maiores passos, nos anos 1980, foi a liderança vocal do Hokolókwé, um dos maiores agrupamentos da época, ao qual juntou-se por via de um concurso em que procurava-se uma nova voz feminina. Nesta fase, interpretou alguns sucessos da soul music norte-americana, actuando nas principais casas de espectáculos da cidade, como o Complexo Sheik, o Zambi e o Mini-Golf. Acompanhou, ainda nesta etapa da carreira, o célebre Conjunto João Domingos, adicionando ao seu repertório interpretações de Miriam Makeba, Diana Ross, Donna Summer, entre outras grandes cantoras.
Em meio à crise do mercado musical no país, que afectou toda a cadeia produtiva deste meio artístico, Mingas apostou na criação das suas próprias composições, vislumbrando uma carreira autoral. Nesta senda, em 1985, mudou-se para Nelspruit, na Africa do Sul, em busca de melhores condições de vida, especialmente em termos da carreira que decidiu abraçar. Não obteve o sucesso desejado, tendo apenas formado um grupo que limitou-se à fase de ensaios.
De regresso, em 1987, foi convidada por Wazimbo para integrar a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, um dos maiores projectos da música popular nacional, dirigido pelo empresário Aurélio Le Bon. A cantora destacou-se, entre outras coisas, pela interpretação de clássicos da música moçambicana como A va nsati va lomu (de Fany Mpfumo) e Elisa Gomara Saia (da Orquestra Djambu). Foi a principal cantora da Orquestra durante as digressões pela Europa entre 1987 e 1988. Ainda no que se refere à projecção internacional, destaca-se a participação do agrupamento no espectáculo Save the Children, realizado no ano de 1987, na cidade Harare (capital do Zimbabwe), no qual Mingas teve a oportunidade de partilhar o palco com grandes estrelas da música pop internacional, tais como Paul Simon, Harry Belafonte, Manu Dibango, Hugh Masekela, entre outros.
Fortemente consolidado pela qualidade do seu elenco, a Orquestra Marrabenta Star gravou, em 1988, dois dos mais importantes álbuns da musica nacional: “Independance” e “Piquenique”, ambos sucessos absolutos de público e crítica. Ambos gravados em estúdios prestigiados da cidade de Harare e editados pela companhia alemã “Piranha Music”, tiveram ampla divulgação e contribuíram para o impulsionamento das carreiras musicais individuais. A título de exemplo, a própria Mingas teve a oportunidade fazer a sua primeira actuação fora do continente africano, num espectáculo integrado no encontro de jornalistas da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), no mesmo ano, que contou com a participação de figuras sonantes como Gilberto Gil e Hermeto Pascoal, entre outros.
Entretanto, apesar do sucesso do conjunto, a relação de Mingas com a Orquestra não durou, e após desentendimentos com o empresário, abandonou o grupo no ano seguinte, em 1989. Ainda neste ano, passou a integrar o Grupo RM, com o qual gravou os seus temas originais, entre eles, “Nweti”, vencedora do prémio de Melhor Canção do concurso Ngoma Moçambique 1989. Ainda em termos de premiações, com a canção “Baila Maria”, em dueto com Chico António, conquistou o ‘Grand Prix Decouvertes 90’, da Rádio França Internacional, prémio entregue na Guiné-Conakry. Ainda em Paris, nesta sequência, em 1992, participou da gravação do disco “Cineta”, do Grupo RM, que por razões comerciais, adoptou o nome de Amoya, para o efeito. E para coroar a escalada de sucesso nesta fase, já de regresso a Moçambique, em 1993, vence o prémio do Top Feminino, com a canção “Nwanaga”.
Entre 1995 e 1999, Mingas volta a viver na África do Sul, desta vez em Joanesburgo, onde integra o grupo de Miriam Makeba como corista. É desta fase, provavelmente, o seu momento de maior projecção internacional, ao acompanhar uma estrela da magnitude da “Mama Africa”. Durante quatro anos, actuou nas suas digressões da pelos quatro continentes, em países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Costa do Marfim, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Guadalupe, Noruega, Suécia e Tunísia. Destas actuações, os momentos mais altos incluem a actuação na Ópera de Sidney, na Austrália, em 1997, e um espectáculo para o Papa João Paulo II na sua visita ao Brasil, no mesmo ano. Depois do perido de residência na África do Sul, participou ainda, em Agosto de 2001, na homenagem de Miriam Makeba a Dolly Ratebe no Civic Thetare de Joanesburgo; em 2003, integrou a sessão cultural da União Africana e na celebração dos dez anos de democracia na África do Sul. Neste ano, participou ainda num festival musical de beneficiência, com a participação de Gilberto Gil (então Ministro da Cultura do Brasil), Zena Bacar e Stewart Sukuma.
Já plenamente restabelecida na terra natal, em 2005, Mingas lançou o seu primeiro disco “Vuka Africa”, e o segundo, “Vhumela”, oito anos depois, em 2013,
ano em que foi nomeada Embaixadora de Boa Vontade dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas para Moçambique e condecorada pelo governo francês” com a ordem “Cavaleira das Artes e Letras” (distinção atribuída a outras personalidades ilustres moçambicanas como ao artista plástico Malangatana, o fotógrafo Ricardo Rangel e o escritor Mia Couto).
Em 2014, participou do documentário "Marrabenta", do realizador moçambicano radicado no Brasil Victor Lopes, no qual dá depoimentos pertinentes à sua contribuição como artista para o desenvolvimento deste género de música genuinamente moçambicano.
Grupo RM
Nome
Nomes alternativos
Função
Compositora
Local de nascimento
Data de nascimento
Género
Biografia
Já nos fins da década de 1970, na companhia de jovens da igreja, nomeadamente, Safrão Navesse e Silva Zunguze, integrou um rio que apresentava-se principalmente em cerimonias da igreja, interpretando canções religiosas. Entretanto, o seu interesse musical iam além, alimentado pelos espectáculos produzidos pelo Xitimela 1001 e Foguetão, muito em voga na altura. Nestas ocasiões, teve a oportunidade de apreciar actuacoes de grandes referencias da música moçambicana (que começavam a ganhar mais espaço naquele momento), tais como Dilon Djindji, Fany Mpfumo, António Marcos, António Williamo, Orquestra Djambu, etcre outros.
Destinada a singrar na música, passou por concursos de descoberta de talentos e sem dificuldades se integrou nesta arte. Um dos seus maiores passos, nos anos 1980, foi a liderança vocal do Hokolókwé, um dos maiores agrupamentos da época, ao qual juntou-se por via de um concurso em que procurava-se uma nova voz feminina. Nesta fase, interpretou alguns sucessos da soul music norte-americana, actuando nas principais casas de espectáculos da cidade, como o Complexo Sheik, o Zambi e o Mini-Golf. Acompanhou, ainda nesta etapa da carreira, o célebre Conjunto João Domingos, adicionando ao seu repertório interpretações de Miriam Makeba, Diana Ross, Donna Summer, entre outras grandes cantoras.
Em meio à crise do mercado musical no país, que afectou toda a cadeia produtiva deste meio artístico, Mingas apostou na criação das suas próprias composições, vislumbrando uma carreira autoral. Nesta senda, em 1985, mudou-se para Nelspruit, na Africa do Sul, em busca de melhores condições de vida, especialmente em termos da carreira que decidiu abraçar. Não obteve o sucesso desejado, tendo apenas formado um grupo que limitou-se à fase de ensaios.
De regresso, em 1987, foi convidada por Wazimbo para integrar a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, um dos maiores projectos da música popular nacional, dirigido pelo empresário Aurélio Le Bon. A cantora destacou-se, entre outras coisas, pela interpretação de clássicos da música moçambicana como A va nsati va lomu (de Fany Mpfumo) e Elisa Gomara Saia (da Orquestra Djambu). Foi a principal cantora da Orquestra durante as digressões pela Europa entre 1987 e 1988. Ainda no que se refere à projecção internacional, destaca-se a participação do agrupamento no espectáculo Save the Children, realizado no ano de 1987, na cidade Harare (capital do Zimbabwe), no qual Mingas teve a oportunidade de partilhar o palco com grandes estrelas da música pop internacional, tais como Paul Simon, Harry Belafonte, Manu Dibango, Hugh Masekela, entre outros.
Fortemente consolidado pela qualidade do seu elenco, a Orquestra Marrabenta Star gravou, em 1988, dois dos mais importantes álbuns da musica nacional: “Independance” e “Piquenique”, ambos sucessos absolutos de público e crítica. Ambos gravados em estúdios prestigiados da cidade de Harare e editados pela companhia alemã “Piranha Music”, tiveram ampla divulgação e contribuíram para o impulsionamento das carreiras musicais individuais. A título de exemplo, a própria Mingas teve a oportunidade fazer a sua primeira actuação fora do continente africano, num espectáculo integrado no encontro de jornalistas da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), no mesmo ano, que contou com a participação de figuras sonantes como Gilberto Gil e Hermeto Pascoal, entre outros.
Entretanto, apesar do sucesso do conjunto, a relação de Mingas com a Orquestra não durou, e após desentendimentos com o empresário, abandonou o grupo no ano seguinte, em 1989. Ainda neste ano, passou a integrar o Grupo RM, com o qual gravou os seus temas originais, entre eles, “Nweti”, vencedora do prémio de Melhor Canção do concurso Ngoma Moçambique 1989. Ainda em termos de premiações, com a canção “Baila Maria”, em dueto com Chico António, conquistou o ‘Grand Prix Decouvertes 90’, da Rádio França Internacional, prémio entregue na Guiné-Conakry. Ainda em Paris, nesta sequência, em 1992, participou da gravação do disco “Cineta”, do Grupo RM, que por razões comerciais, adoptou o nome de Amoya, para o efeito. E para coroar a escalada de sucesso nesta fase, já de regresso a Moçambique, em 1993, vence o prémio do Top Feminino, com a canção “Nwanaga”.
Entre 1995 e 1999, Mingas volta a viver na África do Sul, desta vez em Joanesburgo, onde integra o grupo de Miriam Makeba como corista. É desta fase, provavelmente, o seu momento de maior projecção internacional, ao acompanhar uma estrela da magnitude da “Mama Africa”. Durante quatro anos, actuou nas suas digressões da pelos quatro continentes, em países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Costa do Marfim, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Guadalupe, Noruega, Suécia e Tunísia. Destas actuações, os momentos mais altos incluem a actuação na Ópera de Sidney, na Austrália, em 1997, e um espectáculo para o Papa João Paulo II na sua visita ao Brasil, no mesmo ano. Depois do perido de residência na África do Sul, participou ainda, em Agosto de 2001, na homenagem de Miriam Makeba a Dolly Ratebe no Civic Thetare de Joanesburgo; em 2003, integrou a sessão cultural da União Africana e na celebração dos dez anos de democracia na África do Sul. Neste ano, participou ainda num festival musical de beneficiência, com a participação de Gilberto Gil (então Ministro da Cultura do Brasil), Zena Bacar e Stewart Sukuma.
Já plenamente restabelecida na terra natal, em 2005, Mingas lançou o seu primeiro disco “Vuka Africa”, e o segundo, “Vhumela”, oito anos depois, em 2013,
ano em que foi nomeada Embaixadora de Boa Vontade dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas para Moçambique e condecorada pelo governo francês” com a ordem “Cavaleira das Artes e Letras” (distinção atribuída a outras personalidades ilustres moçambicanas como ao artista plástico Malangatana, o fotógrafo Ricardo Rangel e o escritor Mia Couto).
Em 2014, participou do documentário "Marrabenta", do realizador moçambicano radicado no Brasil Victor Lopes, no qual dá depoimentos pertinentes à sua contribuição como artista para o desenvolvimento deste género de música genuinamente moçambicano.

