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SUKUMA, Stewart

Nome

SUKUMA, Stewart

Nomes alternativos

Stewart
Stewart Sukuma
Luís Manuel Francisco Pereira

Função

Cantor
Intérprete
Compositor
Instrumentista
Bailarino

Local de nascimento

Cuamba, Província de Niassa

Data de nascimento

1963-03-25

Género

Masculino

Biografia

“Stewart Sukuma” é o nome artístico de Luís Manuel Francisco Pereira, nascido a 25 de Marco de 1963 na cidade de Quelimane, famosa por ter como símbolo aquele que é considerado o melhor carnaval de Moçambique. A expressão “sukuma” deriva da língua zulu e significa “ergue-te”, como um chamado à acção que, nas suas palavras “Num sentido mais abrangente, comunica a necessidade de se estabelecer uma ponte para a conquista de outros espaços para a nossa música, o que nao implica a perda da originalidade” (Miguel, 2005: 167). Efectivamente, um dos aspectos mais marcantes da sua carreira é a capacidade de aproveitar as oportunidades para abrir portas para os fazedores da cultura moçambicana das mais diversas áreas, o que igualmente, resultou numa grande projecção internacional a nível individual, como artista.
Filho de Artur Manuel Pereira e Mariana Pedro Francisco, foi durante a infância no Bairro Popular que deu os primeiros passos no mundo da música e da dança, numa cidade em que havia ambiente propício para tal e numa época em que a marrabenta e a música brasileira estavam muito em voga. Durante alguns anos, foi bailarino do grupo Os Corvos, que gozava de alguma popularidade na sua cidade natal. A partir de 1977, passou a viver na cidade de Maputo, onde decidiu ampliar os horizontes, aprendendo a cantar, tocar percussão, guitarra e teclados.
Em 1982, já estabelecido no cenário musical da capital, trava contacto com músicos reconhecidos no mercado, tais como Castigo Langa, Hélder Mbazima, Fenias Bila e Carlitos Fernandes, com quem colaborou na gravação da canção “Música Quente”, nos estúdios da EME – Empresa Moçambicana de Entretenimento, em 1983. Trabalhou ainda com outros músicos igualmente renomeados, a exemplo de Costa Neto, Baba Harris, Sílio Paulino, entre outros, do grupo Mbila, com quem gravou “Guibodo Africa”, em 1984. O sucesso radiofónico das duas canções foi decisivo para que Stewart se consolidasse como músico num mercado musical altamente concorrido e em crise, como era, de resto, a situação geral do país, particularmente nestes princípios da década de 1980.
O ano de 1987 trouxe as suas primeiras experiências internacionais, tendo a oportunidade de tocar percussão no grupo do saxofonista ganense George Lee, que era acompanhado também pelo guitarrista Jimmy Dludlu, na Suazilândia. Destaca-se ainda a participação na gravação do disco “Independance”, da Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, feita em Harare, capital zimbabueana. Efectivamente, foi com este grupo que deu-se a oportunidade de transcender as fronteiras. Em 1988, o grupo participou do festival internacional Beat Apartheid, realizado em dezasseis cidades da Alemanha. E ainda no mesmo ano, a participação no festival das Crianças da Linha da Frente, em Harare, deu-lhes a oportunidade de dividir o palco com algumas das principais estrelas da música africana, tais como Hugh Masekela, Youssou N’Dour, Miriam Makeba e Harry Belafonte. E dois anos depois, em 1990, o grupo apresenta-se em Londres e Newcastle, em abertura do concerto de Mark Knopfler.
De volta a Moçambique, entre 1990 e 1992, Stewart decidiu viver em Nampula, onde entre diversas actividades e colaborações com músicos locais, descobriu o talento de Aly Faque, apoiando-o na sua deslocação à capital Maputo, onde pôde realizar o sonho de gravar um disco e singrar pela carreira musical, algo distante das suas possibilidade em sua cidade natal.

Já a partir dessa altura, Stewart começa a projectar os passos para a gravação do seu disco próprio, que veio a concretizar-se cinco anos depois, quando em 1997, lançou “Afrikiti”, gravado no prestigiado Three House Studio, em Joanesburgo, na África do Sul, onde já residia desde 1995. O álbum contou com a participação de nomes de peso, tais como os antigos parceiros Jimmy Dludlu e George Lee, bem como o legendário trompetista e cantor sul-africano Hugh Masekela. A projecção atingida a partir deste álbum foi tal que, no ano seguinte, em 1998, foi lançado na Europa, onde passou a actuar com mais frequência. Deste álbum, algumas canções anteriormente lançadas como singles, tornam-se vencedores do concurso Ngoma Moçambique, o principail do país; é o caso de “Julieta” (Canção Mais Popular, em 1995) e “Afrikiti” (Melhor Canção, em 1996).
Neste ínterim, aproveitou para aprimorar os seus conhecimentos sobre música, não apenas do ponto de vista técnico, mas também sob a perspectiva da gestão da carreira e do “marketing” promocional na área. Para efeito, fez o curso do Berklee College of Music, em Boston, nos Estados Unidos da América, tornando-se o primeiro moçambicano a entrar nesta instituição altamente prestigiada, onde é membro do Comité Africano de Avaliação e Consultor do “African Scholars Program”.
Em 2007, funda banda Nkhuvu, com a qual dá novo impulso à sua carreira, ao mesmo tempo que contribui para a projecção de jovens músicos que o acompanham no projecto. Umas das marcas do grupo foi o “revival” da Marrabenta, um dos géneros mais característicos da música popular moçambicana, que através das cancoes “Caranguejo”, “Felismina”, “Dizem que vale a pena casar” e “Xitchuketa Marrabenta”, ganharam roupagens mais modernas, com uma sonoridade mais palatável para o mercado internacional. O que, em última análise, contitui um dos aspectos mais destacáveis da arte de Stewart Sukuma: a capacidade de fazer a conexão entre a musicalidade moçambicana e as tendências globais da música pop.
Com o Nkhuvu, ganhou novamente o mundo, partilhando o palco com outros grandes nomes da música internacional, como Gilberto Gil, Luís Represas, Lee Ritenour, Lokua Kanza, Bonga, Hugh Masekela, Mayra Andrade, Sara Tavares, Oliver Mtukudzi e Fafá de Belém. Para além de promover o nome do país além-fronteiras, estas parcerias contribuíram enormemente para incluir Moçambique na rota das digressões das grandes estrelas mundiais.
Paralelamente à sua carreira musical, apresentou programas de televisão ligados ao turismo e às artes (nos canais RTP, de Portugal, e STV, de Moçambique). Algumas das suas músicas fazem actualmente parte de bandas sonoras de telenovelas (TVI Portugal) e cinema sul-africano. Desde 2012, que Sukuma possui a sua própria marca registada “Stewart Sukuma” na área de acessórios de moda, tornando-se no primeiro artista moçambicano a trilhar esse caminho. Entre vários prémios e distinções destaca-se a Condecoração com o Grau de Oficial da Ordem de Mérito do Infante D. Henrique, pelo Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016. É também Embaixador da Boa Vontade da UNICEF à UNICEF em Moçambique.

Instrumentos

Percussão
Guitarra
Teclados

Referências Bibliográficas

Miguel, Amâncio (2005), "Marrabentar", Maputo: Marimbique

Link associado

https://www.facebook.com/476021652445872/photos/a.476050795776291/1886942968020393/?type=3&theater
https://www.facebook.com/pg/stewartsukuma/about/?ref=page_internal

Criado por

Carolina Sá

Modificado/ enriquecido / revisto por

Marílio Wane

Data de modificação

2018-11-19

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