WAZIMBO
Cantor
Intérprete
Compositor
Humberto Carlos Benfica
Ti Wazy
Kota Wazy
n. Maputo, 1948-11-11
Humberto Carlos Benfica, mais conhecido pela alcunha de “Wazimbo” é considerado um dos principais intérpretes e compositores da música ligeira moçambicana. Nascido a 11 de Novembro de 1948 no famoso bairro suburbano da Mafalala, na cidade Maputo, aos oito anos de idade mudou-se com a família para o Chibuto (na Província de Gaza). Já na pós-adolescência, em 1964, começou a cantar com o grupo “Silverstars”, formado com os parceiros Miguel Matsinhe e Hortêncio Langa, este que mais tarde, viria a se tornar outro dos grandes nomes do cenário musical nacional.
Regressou Maputo nos fins da década de 1960, quando ainda dividia o seu tempo entre a escola e uma carreira incipiente nos palcos, desta feita, como o grupo Geysers, que obteve o 4.o lugar nas olimpíadas musicais, um concurso realizado no antigo Cinema Nacional (actualmente, o Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane). Este grupo, que manteve a base da banda anterior, adicionando o guitarrista Pedro Nhantumbo à formação, atingiu um certo destaque na altura, fazendo uma mistura de música pop internacional com um toque brasileiro.
Entretanto, os seu companheiros de banda forma todos cumprir o serviço militar obrigatório, fazendo com que Wazimbo chamasse Milagre Langa e Domingos Macuácua para preencher os seus lugares e prosseguir com a empreitada. Na sequência da notoriedade que foi granjeando nos palcos da capital, em 1972, foi convidado para actuar em Angola e teve assinado o seu primeiro contrato como músico profissional. Apesar de muito jovem, actuou ao lado de nomes consagrados da música angolana Elias Dias Kimuenzo, Cireneu Bastos e Massano, em palcos igualmente renomados, no Kussunguila e no Lobito.
Viveu no país por dois anos e retornou a Moçambique em 1974, voltando aos palcos integrando diversos grupos activos naquela altura, já às vésperas do fim do regime colonial. Nesta fase, actuou activamente na Associação Africana e no Pinguim e após a independência, no Mini-Golf e no antigo Folclore (que ficava na Praça de Touros) e igualmente, nos famosos espectáculos produzidos pelo Xitimela e Expresso 1001.
Com tamanha bagagem acumulada, Wazimbo terá um papel importante na formação do Grupo RM que, em fins da década de 1970, liderou um movimento de valorização das raízes tradicionais moçambicanas na música popular. Sob a iniciativa de Rafael Maguni, o primeiro indivíduo negro a dirigir a Rádio Moçambique, este agrupamento contou com a participação de alguns dos melhores músicos do país, tais como Sox, Milagre Langa, Zeca Tcheco, Alexandre Langa, entre outros, e ajudou a definir a sonoridade daquilo que conhecemos hoje por “música ligeira moçambicana”. Entretanto, apesar do grande sucesso e do reconhecimento nos princípios da década de 1980, a saída de Wazimbo do grupo foi um tanto conturbado tendo gerado algum ressentimento na altura.
Por outro lado, ainda em meados desta década, o cantor veio a se integrar em outro grande projecto de sucesso da música nacional: a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, idealizada pelo empresário Aurélio Le Bon, através da sua empresa “Movimento”. Este agrupamento destacou-se por um elenco de alto quilate, contando com jovens músicos que despontavam no cenário como a cantora Mingas, o saxofonista Matchote, o trompetista Leman Pinto, o então bailarino e percussionista Stewart Sukuma, entre outros, que mais tarde, viriam a desenvolver carreiras de sucesso, alguns até a nível internacional. Com o grupo, Wazimbo participou dos seus únicos dois discos, intitulados “Independance” e “Marrabenta Picnic”, gravados nos anos de 1988 e 1989 pela editora alemã Piranha Musik e considerados clássicos instantâneos. Dentre tantos temas incontornáveis da música popular saídos destas obras, destaca-se a interpretação de Wazimbo como a voz da música “Sapateiro”, de autoria de Daniel Langa (irmão de Alexandre Langa).
Contudo, o grupo teve vida curta, muito em função da dispersão dos seus integrantes, que seguiram carreiras a solo. De modo que já em princípios da década de 1990, a banda já havia sido desfeita e alguns de seus integrantes prosseguiram com carreiras irregulares, como foi o caso de Wazimbo, que quase não gravou e fez actuações sem grande publicidade. Na segunda metade da década, precisamente no ano de 1997, um episódio veio marcar negativamente a sua carreira, nomeadamente, o seu envolvimento com tráfico de drogas, tornando-se no primeiro caso conhecido de um músico popular no país.
Passado o desgaste gerado pelo episódio, no ano seguinte, em 1998, lançou o seu primeiro disco a solo, intitulado “Makweru”, gravado na África do Sul e editado pela moçambicana Conga. Deste disco, a balada “Nwahulwana” (pássaro da noite) rendeu-lhe bastante notoriedade a nível internacional pelo facto de ter sido utilizada numa publicidade comercial da Microsoft nos EUA e depois, em 2001, fazendo parte da trilha sonora do filme “A Promessa”, dirigido por Sean Penn, e estrelado por Jack Nicholson.
Desde então, com o novo fôlego imprimido à carreira, Wazimbo continua a passear a sua classe pelos palcos do país, sempre associado à uma gloriosa “velha guarda” de artistas que ajudaram a delinear o estilo da música ligeira moçambicana.
Grupo RM
Nome
Nomes alternativos
Função
Local de nascimento
Data de nascimento
Género
Biografia
Regressou Maputo nos fins da década de 1960, quando ainda dividia o seu tempo entre a escola e uma carreira incipiente nos palcos, desta feita, como o grupo Geysers, que obteve o 4.o lugar nas olimpíadas musicais, um concurso realizado no antigo Cinema Nacional (actualmente, o Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane). Este grupo, que manteve a base da banda anterior, adicionando o guitarrista Pedro Nhantumbo à formação, atingiu um certo destaque na altura, fazendo uma mistura de música pop internacional com um toque brasileiro.
Entretanto, os seu companheiros de banda forma todos cumprir o serviço militar obrigatório, fazendo com que Wazimbo chamasse Milagre Langa e Domingos Macuácua para preencher os seus lugares e prosseguir com a empreitada. Na sequência da notoriedade que foi granjeando nos palcos da capital, em 1972, foi convidado para actuar em Angola e teve assinado o seu primeiro contrato como músico profissional. Apesar de muito jovem, actuou ao lado de nomes consagrados da música angolana Elias Dias Kimuenzo, Cireneu Bastos e Massano, em palcos igualmente renomados, no Kussunguila e no Lobito.
Viveu no país por dois anos e retornou a Moçambique em 1974, voltando aos palcos integrando diversos grupos activos naquela altura, já às vésperas do fim do regime colonial. Nesta fase, actuou activamente na Associação Africana e no Pinguim e após a independência, no Mini-Golf e no antigo Folclore (que ficava na Praça de Touros) e igualmente, nos famosos espectáculos produzidos pelo Xitimela e Expresso 1001.
Com tamanha bagagem acumulada, Wazimbo terá um papel importante na formação do Grupo RM que, em fins da década de 1970, liderou um movimento de valorização das raízes tradicionais moçambicanas na música popular. Sob a iniciativa de Rafael Maguni, o primeiro indivíduo negro a dirigir a Rádio Moçambique, este agrupamento contou com a participação de alguns dos melhores músicos do país, tais como Sox, Milagre Langa, Zeca Tcheco, Alexandre Langa, entre outros, e ajudou a definir a sonoridade daquilo que conhecemos hoje por “música ligeira moçambicana”. Entretanto, apesar do grande sucesso e do reconhecimento nos princípios da década de 1980, a saída de Wazimbo do grupo foi um tanto conturbado tendo gerado algum ressentimento na altura.
Por outro lado, ainda em meados desta década, o cantor veio a se integrar em outro grande projecto de sucesso da música nacional: a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, idealizada pelo empresário Aurélio Le Bon, através da sua empresa “Movimento”. Este agrupamento destacou-se por um elenco de alto quilate, contando com jovens músicos que despontavam no cenário como a cantora Mingas, o saxofonista Matchote, o trompetista Leman Pinto, o então bailarino e percussionista Stewart Sukuma, entre outros, que mais tarde, viriam a desenvolver carreiras de sucesso, alguns até a nível internacional. Com o grupo, Wazimbo participou dos seus únicos dois discos, intitulados “Independance” e “Marrabenta Picnic”, gravados nos anos de 1988 e 1989 pela editora alemã Piranha Musik e considerados clássicos instantâneos. Dentre tantos temas incontornáveis da música popular saídos destas obras, destaca-se a interpretação de Wazimbo como a voz da música “Sapateiro”, de autoria de Daniel Langa (irmão de Alexandre Langa).
Contudo, o grupo teve vida curta, muito em função da dispersão dos seus integrantes, que seguiram carreiras a solo. De modo que já em princípios da década de 1990, a banda já havia sido desfeita e alguns de seus integrantes prosseguiram com carreiras irregulares, como foi o caso de Wazimbo, que quase não gravou e fez actuações sem grande publicidade. Na segunda metade da década, precisamente no ano de 1997, um episódio veio marcar negativamente a sua carreira, nomeadamente, o seu envolvimento com tráfico de drogas, tornando-se no primeiro caso conhecido de um músico popular no país.
Passado o desgaste gerado pelo episódio, no ano seguinte, em 1998, lançou o seu primeiro disco a solo, intitulado “Makweru”, gravado na África do Sul e editado pela moçambicana Conga. Deste disco, a balada “Nwahulwana” (pássaro da noite) rendeu-lhe bastante notoriedade a nível internacional pelo facto de ter sido utilizada numa publicidade comercial da Microsoft nos EUA e depois, em 2001, fazendo parte da trilha sonora do filme “A Promessa”, dirigido por Sean Penn, e estrelado por Jack Nicholson.
Desde então, com o novo fôlego imprimido à carreira, Wazimbo continua a passear a sua classe pelos palcos do país, sempre associado à uma gloriosa “velha guarda” de artistas que ajudaram a delinear o estilo da música ligeira moçambicana.

