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Pessoas

FAQUE, Aly

Intérprete
Cantor
Instrumentista

Aly Faque

n. Angoche, Província de Nampula, 1967-06-17

Para além do seu grande talento como músico popular, o percurso artístico de Aly Faque é marcado por uma notável forca de superação advinda da sua condição de vulnerabilidade numa sociedade em que o albinismo é objecto de preconceito e de graves violações para com os seus portadores. Foi por conta desta estigmatização que, por exemplo, não foi reconhecido pelo pai durante a sua infância, tendo vindo a o conhecer somente na fase da adolescência.
Ainda em decorrência do albinismo, Faque teve de abandonar os estudos no ano de 1983, quando cursava a 5a. Classe do período nocturno na Escola Secundaria de Nampula. Os problemas de vista congénitos aos portadores desta anomalia orgânica acabaram por dificultar o seu processo de aprendizagem. Diante de tais adversidades, foi neste momento que decidiu apostar ainda nas actividade que já desempenhava como músico amador, nas ruas da cidade de Nampula, já desde os princípios da década de 1980. Neste período, foi fortemente influenciado pela música popular em voga na altura, pela música tanzaniana, pelas tradições do tufu e n’sope (danças típicas da Província de Nampula) e particularmente, pelas canções dos filmes indianos, que imitava mesmo sem saber falar hindi.
De tal maneira que a sua aprendizagem musical deu-se sobretudo de forma autodidáctica, resultante também do encerramento da Escola de Música de Nampula (em princípios da década de 1980), onde pretendia ingressar para estudar música. Entretanto, na sequencia das suas actuações ambulantes como músico de rua, teve a oportunidade de conviver com os músicos da Escola Militar de Nampula, com quem desenvolveu a sua aprendizagem musical e prática de conjunto.
A partir da segunda metade da década de 1980, agravou-se a crise da indústria musical em Moçambique, que resultou em maiores barreiras para que os músicos nacionais em termos de possibilidades de gravação. Situação ainda mais grave na cidade de Nampula, onde as perspectivas limitadas para a vida profissional como músico fizeram com que Faque começasse a acalentar o desejo de transferir-se para a capital Maputo, onde as condições eram melhores, apesar das dificuldades. Desejo que veio a concretizar-se através do apoio de Stewart Sukuma (hiperlink), que o viu actuar em 1991, na casa Século XX, em Nampula. Deste encontro, surgiram algumas composições e projectos musicais que viriam a amadurecer quando, em 1995, por meios próprios, o renomado artista criou as condições para a sua transferência para Maputo.
Já na capital do país e com o apoio de Stewart, Aly Faque pôde aceder ao estúdio profissional de gravação da Rádio Moçambique, o único do pais na altura, altamente concorrido. E como prova do seu talento e tenacidade, logo no ano seguinte à sua chegada, em 1996, foi galardoado como o “Prémio Revelação” no Ngoma Moçambique, o principal concurso nacional de música, com a canção Tufo wa Moçambique. Um ano depois, em 1997, confirma o seu sucesso com o “Prémio Imprensa” no mesmo concurso, com a canção Kinachukuro. Ambas as canções irão figurar no seu primeiro disco, intitulado Kinachukuro e gravado em 1997, no renomado estúdio Three House e editado em Moçambique pelo selo Sensações, em 1998.
Contando com o apoio e produção de Stewart Sukuma e a participação de músicos de peso como Jimmy Dludlu e Paíto Tcheco, o disco foi bem recebido pelo público e pela crítica, resultando em digressões por todo o país. Os temas, cantados nas línguas koti, emakhuwa, kiswahili e português, versam sobre a sua condição de vulnerabilidade por conta do albinismo, entre outros aspectos. Em certa medida, o seu percurso tem paralelos com o de seu ídolo, o maliano Salif Keita, um dos maiores nomes da música contemporânea africana, com que tem a oportunidade de se encontrar em Maputo, no ano de 2002.
Ainda neste período, gravou o disco Likorea, em 2001 e, dois anos depois, o disco Iyarussuli Llam, produzido por Júlio Silva, em 2003. Desde então, o artista tem se consolidado como uma das principais referencias da música popular moçambicana, particularmente daquela feita a partir das raízes culturais do norte do país, um dado importante tomando-se em conta que a concentração das condições para a profissionalização da actividade musical ainda encontram-se significativamente concentradas no capital Maputo, isto é, no sul do país.

Nome

FAQUE, Aly

Nomes alternativos

Aly Faque

Função

Intérprete
Cantor
Instrumentista

Local de nascimento

Angoche, Província de Nampula

Data de nascimento

1967-06-17

Género

Masculino

Biografia

Para além do seu grande talento como músico popular, o percurso artístico de Aly Faque é marcado por uma notável forca de superação advinda da sua condição de vulnerabilidade numa sociedade em que o albinismo é objecto de preconceito e de graves violações para com os seus portadores. Foi por conta desta estigmatização que, por exemplo, não foi reconhecido pelo pai durante a sua infância, tendo vindo a o conhecer somente na fase da adolescência.
Ainda em decorrência do albinismo, Faque teve de abandonar os estudos no ano de 1983, quando cursava a 5a. Classe do período nocturno na Escola Secundaria de Nampula. Os problemas de vista congénitos aos portadores desta anomalia orgânica acabaram por dificultar o seu processo de aprendizagem. Diante de tais adversidades, foi neste momento que decidiu apostar ainda nas actividade que já desempenhava como músico amador, nas ruas da cidade de Nampula, já desde os princípios da década de 1980. Neste período, foi fortemente influenciado pela música popular em voga na altura, pela música tanzaniana, pelas tradições do tufu e n’sope (danças típicas da Província de Nampula) e particularmente, pelas canções dos filmes indianos, que imitava mesmo sem saber falar hindi.
De tal maneira que a sua aprendizagem musical deu-se sobretudo de forma autodidáctica, resultante também do encerramento da Escola de Música de Nampula (em princípios da década de 1980), onde pretendia ingressar para estudar música. Entretanto, na sequencia das suas actuações ambulantes como músico de rua, teve a oportunidade de conviver com os músicos da Escola Militar de Nampula, com quem desenvolveu a sua aprendizagem musical e prática de conjunto.
A partir da segunda metade da década de 1980, agravou-se a crise da indústria musical em Moçambique, que resultou em maiores barreiras para que os músicos nacionais em termos de possibilidades de gravação. Situação ainda mais grave na cidade de Nampula, onde as perspectivas limitadas para a vida profissional como músico fizeram com que Faque começasse a acalentar o desejo de transferir-se para a capital Maputo, onde as condições eram melhores, apesar das dificuldades. Desejo que veio a concretizar-se através do apoio de Stewart Sukuma (hiperlink), que o viu actuar em 1991, na casa Século XX, em Nampula. Deste encontro, surgiram algumas composições e projectos musicais que viriam a amadurecer quando, em 1995, por meios próprios, o renomado artista criou as condições para a sua transferência para Maputo.
Já na capital do país e com o apoio de Stewart, Aly Faque pôde aceder ao estúdio profissional de gravação da Rádio Moçambique, o único do pais na altura, altamente concorrido. E como prova do seu talento e tenacidade, logo no ano seguinte à sua chegada, em 1996, foi galardoado como o “Prémio Revelação” no Ngoma Moçambique, o principal concurso nacional de música, com a canção Tufo wa Moçambique. Um ano depois, em 1997, confirma o seu sucesso com o “Prémio Imprensa” no mesmo concurso, com a canção Kinachukuro. Ambas as canções irão figurar no seu primeiro disco, intitulado Kinachukuro e gravado em 1997, no renomado estúdio Three House e editado em Moçambique pelo selo Sensações, em 1998.
Contando com o apoio e produção de Stewart Sukuma e a participação de músicos de peso como Jimmy Dludlu e Paíto Tcheco, o disco foi bem recebido pelo público e pela crítica, resultando em digressões por todo o país. Os temas, cantados nas línguas koti, emakhuwa, kiswahili e português, versam sobre a sua condição de vulnerabilidade por conta do albinismo, entre outros aspectos. Em certa medida, o seu percurso tem paralelos com o de seu ídolo, o maliano Salif Keita, um dos maiores nomes da música contemporânea africana, com que tem a oportunidade de se encontrar em Maputo, no ano de 2002.
Ainda neste período, gravou o disco Likorea, em 2001 e, dois anos depois, o disco Iyarussuli Llam, produzido por Júlio Silva, em 2003. Desde então, o artista tem se consolidado como uma das principais referencias da música popular moçambicana, particularmente daquela feita a partir das raízes culturais do norte do país, um dado importante tomando-se em conta que a concentração das condições para a profissionalização da actividade musical ainda encontram-se significativamente concentradas no capital Maputo, isto é, no sul do país.

Instrumentos

Guitarra

Referências Bibliográficas

Miguel, Amâncio (2005), "Marrabentar", Maputo: Marimbique

Notas

A imagem associada a este elemento foi encontrada em:
http://eduardoquive.blogspot.com/2013/08/zoco-e-aly-faque-os-deuses-agradecem.html, a acedido a 2018-11012

Criado por

Carolina Sá

Data de Criação

2018-08-02

Modificado/ enriquecido / revisto por

Marílio Wane

Data de modificação

2018-11-02

Média