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Partituras
A Moleirinha
Título
A Moleirinha
Palavras-chave
Canções Portuguezas Neuparth & Carneiro Guerra Junqueiro Teatro da República Alexandre de Azevedo
Tipologia
Canção
Compositor
Tomás Borba
Autor de letra
Guerra Junqueiro
Intérprete (s) principal (ais)
Alexandre de Azevedo
Instrumentação
Canto e Piano
Ilustrador
Cervantes de Houro
Editora
Neuparth & Carneiro
Letra
1.Pela estrada plana toc, toc, toc,
Guia o jumentinho uma velhinha errante.
Como vão ligeiros amos a reboque,
antes que a noiteça toc, toc, toc,
a velhinha trás, o jumentinho adiante,
2.
Toc, toc, a velha vai para o moinho,
tem oitenta anos, bem bonito rol...
e contudo alegre como um passarinho,
toc, toc, e fresca como o branco linho,
de manhã nas relvas a córar ao sol.
3.
Vai sem cabeçada em liberdade franca,
o gerico russo duma linda côr:
nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
tange o toc, toc, a moleirinha branca
com o galho verde duma giesta em flor.
4.
Vendo esta velhinha encarmilhada e benta,
toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
quem me fêz o berço fez-lhe o seu caixão!
5.
Toc, toc, toc, lindo burriquito,
para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a Virgem pura foi para o Egipto!
Com certeza ia num burrico assim.
6.
Toc, toc, é tarde, moleirinha santa,
nascem as estrêlas, vivas, em cardume...
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
logo a molerinha, toc, se levanta,
p’ra vestir os netos, p’ra acender o lume.
7.
Toc, toc toc, como se espaneja,
lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingenuo e humilde, dá-me, salvo seja,
dá-me até vontade de o levar á igreja,
baptizar-lhe a alma p’ra fazer cristã!
8.
Toc, toc , toc, e a moleirinha antiga,
toda, toda, branca, vai numa frescata,
foi enfarinhada sorridente amigo,
pela mó da azenha com farinha trigo,
pelos anjos loiros com luar de prata!
9.
Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer de outrora pra os olhos meus!
Minha avó contou-me: quando fui criança,
que era assim tal qual a jumentinha mansa.
Que adorou nas palhas o menino Deus.
10.
Toc, toc, é noite... ouvem se ao longe os sinos,
moleirinha branca, branca de luar!
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
como estremunhados querubins divinos,
os olhitos meigos para a vêr passar!...
11.
Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
entre os milhões de astros o luar sem véu,
o burrico pensa: quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas de oiro
com a mó de jaspe que anda além no céu?!
Guia o jumentinho uma velhinha errante.
Como vão ligeiros amos a reboque,
antes que a noiteça toc, toc, toc,
a velhinha trás, o jumentinho adiante,
2.
Toc, toc, a velha vai para o moinho,
tem oitenta anos, bem bonito rol...
e contudo alegre como um passarinho,
toc, toc, e fresca como o branco linho,
de manhã nas relvas a córar ao sol.
3.
Vai sem cabeçada em liberdade franca,
o gerico russo duma linda côr:
nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
tange o toc, toc, a moleirinha branca
com o galho verde duma giesta em flor.
4.
Vendo esta velhinha encarmilhada e benta,
toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
quem me fêz o berço fez-lhe o seu caixão!
5.
Toc, toc, toc, lindo burriquito,
para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a Virgem pura foi para o Egipto!
Com certeza ia num burrico assim.
6.
Toc, toc, é tarde, moleirinha santa,
nascem as estrêlas, vivas, em cardume...
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
logo a molerinha, toc, se levanta,
p’ra vestir os netos, p’ra acender o lume.
7.
Toc, toc toc, como se espaneja,
lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingenuo e humilde, dá-me, salvo seja,
dá-me até vontade de o levar á igreja,
baptizar-lhe a alma p’ra fazer cristã!
8.
Toc, toc , toc, e a moleirinha antiga,
toda, toda, branca, vai numa frescata,
foi enfarinhada sorridente amigo,
pela mó da azenha com farinha trigo,
pelos anjos loiros com luar de prata!
9.
Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer de outrora pra os olhos meus!
Minha avó contou-me: quando fui criança,
que era assim tal qual a jumentinha mansa.
Que adorou nas palhas o menino Deus.
10.
Toc, toc, é noite... ouvem se ao longe os sinos,
moleirinha branca, branca de luar!
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
como estremunhados querubins divinos,
os olhitos meigos para a vêr passar!...
11.
Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
entre os milhões de astros o luar sem véu,
o burrico pensa: quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas de oiro
com a mó de jaspe que anda além no céu?!
Proveniência
Cota
30100
Local de proveniência
Diversos Caixa 5
Notas
Canções Portuguezas Nº 65
Cantada no Teatro da República pelo actor Alexandre de Azevedo
Cantada no Teatro da República pelo actor Alexandre de Azevedo
Inserido por
Ricardo Andrade
Repetida?
Sim

