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Documentação

Memórias do Instituto de Investigação Científica de Moçambique

Título

Memórias do Instituto de Investigação Científica de Moçambique

Date

1974

number

11

Lista de autores

N.º de capítulo

Etno-história e Cultura Tradicional do Grupo Angume

N.º de páginas

3

Intervalo de páginas

208-210

content

Entre os Angunes a actividade militar encontrava-se estreitamente associada aos cantos e às danças, como meios de reforçar a disciplina, o entusiasmo guerreiro e. enfim, o espírito de unidade de combate. Os diferentes regimentos, nas ocasiões solenes e cerimónias nacionais rivalizavam entre si e criavam, frequentemente, hinos exclusivos.O emprego de tambores era inteiramente banido nestas manifestações bélicas, mesmo entre os povos autóctones vangunizados. Como acontecia com os Angonis relativamente às danças dos Cheuas e Nhanjas, assim também os vangunes e vangunizados desprezavam as danças chopes em que predominavam os tambores.
A guba era a apresentação colectiva mais solene. Os guerreiros do regimento ou dos regimentos formavam em círculo, envergando os seus melhores atavios militares, empunhando no braço esquerdo o escudo e na mão direita apenas a moca. Pelo espaço que exigia é possível que, a exemplo dos Ndebele, o escudo de guerra fosse, nestas formações, subs- tituído por um escudo de dança, mais pequeno e manejável. Limitavam-se a executar lentos e coordenados movimentos, marcando compasso com as batidas dos pés no solo e, por vezes, das mocas nos escudos. A massa coral revestia-se de extrema imponência. Esta apresentação recebia também o nome de mutchongole. Entre os Makwakwas de Inhambane, era conhecida por messongola e nela participavam as mulheres, que formavam em frente dos guerreiros, acompanhando o coro e envergando os seus melhores panos e adornos de missanga. [...]

Date Created

2018-07-19

Creator

Tiago Simões

category

Artigo em revista científica

Country

Moçambique

Medium

Papel Impresso (preto e branco)

Média