MAHECUANE, Francisco
Intérprete
Compositor/a
Guitarrista
Cantor/a
Francisco Mahecuane
Moda Xicavalu
n. Xai-Xai, Província de Gaza, 1919-08-08
Nascido a 8 de Agosto de 1919 em Xai-Xai (na Província de Gaza), Francisco Mahecuane Macovela é um dos pioneiros da chamada música ligeira moçambicana . ao lado de nomes como Muthanda Feliciano Ngome e Eusébio Johane Tamele, entre outros, ajudou a lançar as bases daquilo que seria a expressão de uma música popular para consumo em massa no contexto nacional. Este facto está directamente ligado ao trabalho migratório para as minas da África do Sul, caminho que levou muitos jovens a abandonar a então colónia portuguesa em busca de melhores condições de vida na John (como é comum se referir ao país vizinho, na linguagem coloquial). A gestação de uma tal música popular moçambicana em terras estrangeiras está relacionada com o ambiente urbano e industrializado que estes jovens lá encontravam, onde, para além do trabalho como mineiros, alguns tiveram a possibilidade de gravar e actuar em espectáculos musicais, actividades amplamente vedadas no contexto colonial doméstico.
Efectivamente, Mahecuane migrou para trabalhar nas minas na Província de Natal em fins década de 1930, e mais precisamente, em 1938, começou a tocar por influência de músicos locais com quem convivia. Neste período, um certo Mudjapany ensinou-lhe a tocar guitarra acústica, o que constituiu um aprimoramento dos seus dotes musicais, tendo em vista que na sua terra natal, já tocava o xigogogwani (ou xibavani), que era uma guitarra artesanal feita com latas de azeite e fios de nylon. É igualmente neste aspecto que a experiência do trabalho na África do Sul constitui uma oportunidade de profissionalização incipiente para os músicos moçambicanos.
Em 1942, muda-se para Joanesburgo para trabalhar em uma mina local, onde conhece Manuel Dimande, um indivíduo natural da Manhiça (na Província de Maputo), com quem aprende e desenvolve mais os fundamentos da guitarra. Nesta sequencia, três anos depois, tem a oportunidade de gravar o seu primeiro álbum, intitulado Yi Xibalo Minu Makhandane, pela prestigiosa Gallo Recording Company, tendo contado com a participação de músicos locais igualmente prestigiosos. O título do disco é uma alusão ao antigo Administrador da Circunscrição da Macia, José Afonso Ribeiro, popularmente conhecido por “Makhandane” que, contrariado com o lançamento do seu álbum, queria deportá-lo para São Tomé e Príncipe, que no período colonial, funcionava como um campo de reeducação para os “indígenas” considerados indisciplinados. Por essa razão, isto é, para fugir da perseguicao do administrador, em 1949, Mahecuane regressou a África do Sul, onde continuou as suas actividades musicais, a fazer espectáculos e editar álbuns, alguns em parceria com Muthanda Feliciano Ngome, seu conterrâneo de Gaza, que também havia emigrado para trabalhar nas minas.
Com Feliciano e outros músicos, nomeadamente, António Mafanane Tovela, José Muhumbo Maguele e Lúcia Mondlane, formaram o conjunto Grémio Civil Chaimite (nome de uma localidade do Distrito de Chibuto), que foi considerado o segundo caso de sucesso de música cantada em changana na África do Sul, onde predominava a canção em língua zulu. O primeiro caso foi de outro moçambicano emigrado no mesmo contexto: Daniel Marivate. Nesta época, o Grémio Civil Chaimite fez muito sucesso entre o público local e o formado por mineiros moçambicanos, com as canções "Warindzula Wati Siru", "Yikuhela" e "Uyumuyini Rosa", fazendo com que as vendas do LP atingissem números expressivos.
Já na década de 1950, este vasto grupo de músicos semi-profissionais e muitos deles trabalhadores das minas, foi convidado pelo musicólogo britânico Hugh Tracey agravar o álbum Forgotten Guitars from Mozambique, que oferece um bom panorama da musicalidade inovadora de artistas oriundos da zona Sul de Moçambique residentes na África do Sul. Neste álbum, é possível perceber a transição dos ritmos tradicionais desta região para o formato da música popular “moderna”, para execução em massa através dos discos e da veiculação na rádio. O disco contem gravações feitas entre os anos de 1954, 1955 e 1956 e foi lançado retrospectivamente no ano de 2003. Mahecuane participa com a canção Hayilolosa Male ya Matchangane, que veio a ser regravada por Mr. Bow em 2013, alcançado enorme sucesso, cerca de sessenta anos depois.
Este pode ser considerado um disco seminal para a música popular moçambicana em geral e particularmente, para o surgimento da marrabenta, o género musical que mais se popularizava no então território colonial naquela altura. Como efeito, em 1958, Mahecuane regressa a Moçambique, para a capital Lourenço Marques, onde este género musical estava em franca expansão. É deste período a gravação de Moda Xicavalo – Marrabenta Senta Baixo, um tema instrumental de sua autoria que fez enorme sucesso em Moçambique por ser executada no fecho da emissão da Hora Nativa, um programa radiofónico do antigo Rádio Clube de Moçambique (que depois da independência, em 1975, passou a designar-se Rádio Moçambique, a emissora estatal actual). Criado no principio das década de 1960, tratava-se de um programa dedicado à população “indígena”, veiculado nas línguas ronga e changana, cujo objectivo era criar um canal de comunicação entre a administração colonial e as populações moçambicanas. A despeito do seu carácter propagandístico, a Hora Nativa contribuiu para a difusão da marrabenta em todo o território, bem como particularmente para o tema de Mahecuane, que tornou-se bastante popular.
Deste período também foi a marcante a sua parceria com músicos tais Alexandre Langa e Ernesto “Ximanganine” Dzevo, com créditos já firmado no cenário musical moçambicano. É com eles e outros artistas que, após a independência, participará de um movimento de valorização da música de raiz moçambicana, através de gravações e de espectáculos promovidos pela Rádio Moçambique em todo o país. Em 1994, gravações, ainda na Rádio Moçambique, as canções Urandza Kata e Asati Wamina nimurandza psinene; entretanto, devido a problemas de pagamento e à crise generalizada no mercado musical moçambicano, passou a gravar pela sul-africana JB Recording, em 1998. Desta fase, destaca-se a cassete Dunga Amuti, constituída por oito temas.
Nome
Nomes alternativos
Função
Local de nascimento
Data de nascimento
Género
Biografia
Efectivamente, Mahecuane migrou para trabalhar nas minas na Província de Natal em fins década de 1930, e mais precisamente, em 1938, começou a tocar por influência de músicos locais com quem convivia. Neste período, um certo Mudjapany ensinou-lhe a tocar guitarra acústica, o que constituiu um aprimoramento dos seus dotes musicais, tendo em vista que na sua terra natal, já tocava o xigogogwani (ou xibavani), que era uma guitarra artesanal feita com latas de azeite e fios de nylon. É igualmente neste aspecto que a experiência do trabalho na África do Sul constitui uma oportunidade de profissionalização incipiente para os músicos moçambicanos.
Em 1942, muda-se para Joanesburgo para trabalhar em uma mina local, onde conhece Manuel Dimande, um indivíduo natural da Manhiça (na Província de Maputo), com quem aprende e desenvolve mais os fundamentos da guitarra. Nesta sequencia, três anos depois, tem a oportunidade de gravar o seu primeiro álbum, intitulado Yi Xibalo Minu Makhandane, pela prestigiosa Gallo Recording Company, tendo contado com a participação de músicos locais igualmente prestigiosos. O título do disco é uma alusão ao antigo Administrador da Circunscrição da Macia, José Afonso Ribeiro, popularmente conhecido por “Makhandane” que, contrariado com o lançamento do seu álbum, queria deportá-lo para São Tomé e Príncipe, que no período colonial, funcionava como um campo de reeducação para os “indígenas” considerados indisciplinados. Por essa razão, isto é, para fugir da perseguicao do administrador, em 1949, Mahecuane regressou a África do Sul, onde continuou as suas actividades musicais, a fazer espectáculos e editar álbuns, alguns em parceria com Muthanda Feliciano Ngome, seu conterrâneo de Gaza, que também havia emigrado para trabalhar nas minas.
Com Feliciano e outros músicos, nomeadamente, António Mafanane Tovela, José Muhumbo Maguele e Lúcia Mondlane, formaram o conjunto Grémio Civil Chaimite (nome de uma localidade do Distrito de Chibuto), que foi considerado o segundo caso de sucesso de música cantada em changana na África do Sul, onde predominava a canção em língua zulu. O primeiro caso foi de outro moçambicano emigrado no mesmo contexto: Daniel Marivate. Nesta época, o Grémio Civil Chaimite fez muito sucesso entre o público local e o formado por mineiros moçambicanos, com as canções "Warindzula Wati Siru", "Yikuhela" e "Uyumuyini Rosa", fazendo com que as vendas do LP atingissem números expressivos.
Já na década de 1950, este vasto grupo de músicos semi-profissionais e muitos deles trabalhadores das minas, foi convidado pelo musicólogo britânico Hugh Tracey agravar o álbum Forgotten Guitars from Mozambique, que oferece um bom panorama da musicalidade inovadora de artistas oriundos da zona Sul de Moçambique residentes na África do Sul. Neste álbum, é possível perceber a transição dos ritmos tradicionais desta região para o formato da música popular “moderna”, para execução em massa através dos discos e da veiculação na rádio. O disco contem gravações feitas entre os anos de 1954, 1955 e 1956 e foi lançado retrospectivamente no ano de 2003. Mahecuane participa com a canção Hayilolosa Male ya Matchangane, que veio a ser regravada por Mr. Bow em 2013, alcançado enorme sucesso, cerca de sessenta anos depois.
Este pode ser considerado um disco seminal para a música popular moçambicana em geral e particularmente, para o surgimento da marrabenta, o género musical que mais se popularizava no então território colonial naquela altura. Como efeito, em 1958, Mahecuane regressa a Moçambique, para a capital Lourenço Marques, onde este género musical estava em franca expansão. É deste período a gravação de Moda Xicavalo – Marrabenta Senta Baixo, um tema instrumental de sua autoria que fez enorme sucesso em Moçambique por ser executada no fecho da emissão da Hora Nativa, um programa radiofónico do antigo Rádio Clube de Moçambique (que depois da independência, em 1975, passou a designar-se Rádio Moçambique, a emissora estatal actual). Criado no principio das década de 1960, tratava-se de um programa dedicado à população “indígena”, veiculado nas línguas ronga e changana, cujo objectivo era criar um canal de comunicação entre a administração colonial e as populações moçambicanas. A despeito do seu carácter propagandístico, a Hora Nativa contribuiu para a difusão da marrabenta em todo o território, bem como particularmente para o tema de Mahecuane, que tornou-se bastante popular.
Deste período também foi a marcante a sua parceria com músicos tais Alexandre Langa e Ernesto “Ximanganine” Dzevo, com créditos já firmado no cenário musical moçambicano. É com eles e outros artistas que, após a independência, participará de um movimento de valorização da música de raiz moçambicana, através de gravações e de espectáculos promovidos pela Rádio Moçambique em todo o país. Em 1994, gravações, ainda na Rádio Moçambique, as canções Urandza Kata e Asati Wamina nimurandza psinene; entretanto, devido a problemas de pagamento e à crise generalizada no mercado musical moçambicano, passou a gravar pela sul-africana JB Recording, em 1998. Desta fase, destaca-se a cassete Dunga Amuti, constituída por oito temas.
Instrumentos
Referências Bibliográficas
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Recursos relacionados
Áudio
Ka Maxaquene
Intérprete (s) principal (ais)
Wa yi kuma
Intérprete (s) principal (ais)
Rosa
Intérprete (s) principal (ais)
Fonogramas
Ritmos de Dança Moçambicanos nº2
Agentes
Velhas Glórias Vol. 2
Agentes
Sucessos de Moçambique Vol.15
Agentes
Pessoas
GOMES, Mutano Feliciano
Biografia
